Presidente e vice estão entre os dez presos em operação contra integrantes da torcida organizada do Bahia Reprodução/Redes Sociais O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou o presidente da Bamor, torcida organizada do Bahia, e outros integrantes da diretoria do grupo por crimes como organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça.
Conforme informações divulgadas pelo órgão nesta segunda-feira (5), a denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), como resultado da "Operação Inquisição". 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Agora no g1 Segundo o documento, protocolado na última sexta-feira (2), os denunciados integravam uma estrutura criminosa organizada e com divisão de funções, que atuava de maneira estável.
Os investigados teriam praticado crimes no contexto de punição privada contra pessoas que seriam responsáveis por supostos desvios internos.
➡️ Os denunciados são: Matheus Pires Castro, presidente da Bamor; Luciano da Silva Venâncio, vice-presidente; Gabriel Pereira Silva, diretor-geral; Daniel Sena Duarte, diretor de sede; Ricardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing; Diego Allan Conceição Sacramento, diretor de patrimônio; Ivã Cleiton de Jesus Santos, diretor de bateria; Luiz Wagner da Silva Santana, diretor de sede; Alan Rafael Regis Alves de Aquino, diretor financeiro; e o policial militar Fernando Santana Esquivel, apontado como integrante da torcida organizada.
Os denunciados foram presos na última segunda-feira (28), durante uma ação policial que também cumpriu 15 mandados de busca e apreensão. Segundo o MP-BA, todos seguem presos preventivamente no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. Ainda segundo a denúncia apresentada pelo Gaeco, os crimes aconteceram em julho deste ano e os denunciados teriam usado a estrutura da torcida organizada para agredir, física e psicologicamente, duas pessoas.
O objetivo era obter confissões sobre supostas irregularidades relacionadas à gestão de associados do grupo de torcedores. Os investigados teriam agido de forma coordenada, com divisão de tarefas e utilização da sede da Bamor para praticar os crimes.
Sede da torcida organizada Bamor, localizada em Salvador Google Maps Em uma nota divulgada na última quarta-feira (30), a torcida organizada do Bahia afirmou respeitar o trabalho das autoridades e esperar que as investigações fossem adotadas com base em critérios objetivos, uniformes e impessoais.
(Confira a nota na íntegra ao final da reportagem) Presidente e vice estão entre os dez presos em operação contra integrantes da torcida organizada do Bahia Além disso, o grupo de torcedores afirmou não colaborar com condutas ilícitas e que as eventuais responsabilidades sejam apuradas de maneira individualizada. "A Bamor possui uma história construída por gerações de torcedores, marcada pela paixão pelo Esporte Clube Bahia, pelo sentimento de pertencimento e pela união de seus integrantes.
Essa trajetória institucional deve ser preservada, sem prejuízo da apuração individualizada de quaisquer fatos pelas autoridades competentes", afirmou. Dez investigados foram presos durante ação policial em Salvador Dez pessoas foram presas na manhã desta segunda-feira (28), durante uma operação contra integrantes da presidência e da diretoria da Bamor, torcida organizada do Bahia, em Salvador. Entre os presos estão o presidente da torcida, Matheus Castro, e o vice-presidente, Luciano Venâncio.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a ação investiga casos de tortura dentro da sede do grupo, na capital baiana. A operação foi realizada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), com apoio das forças de segurança do estado. Além das dez prisões, 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
De acordo com a promotora de Justiça Thelma Leal, do MP-BA, todos os integrantes presos teriam participado das agressões, em maior ou menor proporção. "O presidente e o vice estão presos. Todos participaram ativamente dos atos de tortura, de alguma forma, com maior ou menor proporção.
Os relatos das vítimas dão conta que todos que estão presos participaram." A promotora também afirmou que, entre os dez presos, está a cúpula da Bamor. "Entre os dez presos está a cúpula da Bamor. Todos os diretores e presidentes estão presos.
A gente espera que com isso, a Bamor inaugure uma nova era de verdade, que a Bamor busque novas lideranças, a pacificação e que a gente possa tratar agora com seres humanos, de verdade, que busquem a paz e não com atos de selvageria tão graves como esse que aconteceu e que está sob mira da operação." Vítimas foram torturadas durante horas As investigações apontam que pelo menos duas pessoas foram submetidas a agressões físicas e psicológicas dentro da sede da torcida, em julho deste ano.
De acordo com o MP-BA, as vítimas teriam sido pressionadas a confessar supostas irregularidades. Segundo Thelma Leal, uma das vítimas foi chamada à sede da torcida para prestar esclarecimentos sobre um suposto desfalque. Como não teria confessado a prática, passou a ser torturada.
"O primeiro foi convidado para a sede e não desconfiou porque era associado. Lá pediram para ele confessar a prática desse desfalque, um valor relativamente baixo, e como ele não confessou, começaram as sessões de tortura com espancamento, simulação de afogamento com sacos plásticos, perfuração das mãos, que é uma coisa absurda. Também utilizaram taco de beisebol, marteladas, foram algumas horas de muita tortura.
No dia seguinte, pegaram a outra vítima e também praticaram essas torturas." Vítima relata tortura sofrida na sede da torcida organizada do Bahia Ainda de acordo com as apurações, as agressões teriam incluído ameaças, sufocamento e afogamento. Os investigadores também apontam o uso de tacos de beisebol, martelo e faca durante as sessões de violência. Além da tortura, a investigação apura possíveis crimes de roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa.
De acordo com a promotora Thelma Leal, a segunda vítima teve o celular levado durante as agressões e transferências bancárias teriam sido realizadas para outras pessoas. "A gente tem informação de que a segunda vítima teve o celular subtraído nesse momento e que foram feitas transferências bancárias para outras pessoas.
Isso configura crime de extorsão para essas pessoas." 'Medo de sofrer represália' Presidente e vice estão entre os presos em operação contra integrantes da Bamor Uma das vítimas, que preferiu não revelar a identidade por medo de represálias, contou detalhes sobre as agressões em entrevista ao Bahia Meio Dia, da TV Bahia, em julho deste ano. Segundo o relato, ela foi até a sede da torcida para prestar esclarecimentos e não imaginava que seria torturada.
"Compareci, de boa-fé, a fim de prestar todos os esclarecimentos a ele, apesar de não ter cometido nenhum ilícito e saber da possível fraude que houve, mas em momento algum eu suspeitei que seria torturado." A vítima afirmou que as agressões duraram cerca de quatro horas. "Foi uma média de quatro horas de tortura.
Elas se deram com pauladas, taco de beisebol, tentaram fragmentar minhas orelhas e dedos com alicates, afogamentos com pano na boca e água." Ela também afirmou que os responsáveis não apresentaram provas de que teria participado de alguma fraude. "Eles não apresentaram nenhuma prova. O que eles apresentaram foi uma suspeita, mas prova válida não apresentaram nenhuma.
A todo momento eu afirmei para eles que não participei, que eu sequer sabia do que estava fraudado. À medida que eu soube da fraude, tomei as medidas cabíveis e fiz a reunião com eles." Segundo a vítima, durante as agressões, os suspeitos exigiram a senha de uma conta bancária. Ela afirmou que o dinheiro foi transferido para uma conta da associação.
"Foi uma tortura, pancadas, 'diga a senha', 'fale logo'. Eu falei a minha senha e eles acessaram uma das minhas contas, que tinha um valor aproximado de R$ 5,8 mil e eles transferiram exatamente para a conta da associação." Por medo, a vítima disse que teme sofrer represálias.
"Tenho medo de sofrer represália, mas a gente precisa parar esse tipo de ilícito." Bamor não é alvo da investigação, diz promotora Thelma Leal afirmou que a operação é direcionada aos integrantes da torcida e que a Bamor, enquanto associação, não é investigada no caso. "Se pede muito a punição ao CNPJ. Essas prisões são aos integrantes da Bamor.
A sede foi fechada porque foi lá que aconteceram os fatos. É importante dizer que a Bamor não está sendo investigada." Segundo ela, existe outra investigação envolvendo a associação no Ministério Público. "A Bamor, enquanto associação, ela tem outra esfera de investigação no Ministério Público.
No momento, a gente não tem medidas previstas contra a Bamor. Muito pelo contrário, a gente espera que ela possa ter pessoas que possam trazer essa pacificação." A promotora também afirmou que o MP-BA trabalha na construção de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) envolvendo a torcida. "Nós estamos com a construção de um Termo de Ajustamento de Conduta, em andamento, onde a gente prevê que a torcida possa punir esse integrante que pratique o crime.
A gente espera que a nova diretoria da Bamor, que será constituída, possa banir esses cidadãos que praticaram o crime dentro da associação, e que eles nunca mais possam acessar o local como torcida organizada." Policial militar está entre os investigados De acordo com a SSP-BA, entre os investigados está um policial militar. Segundo Thelma Leal, ele era associado à Bamor e teria participado das agressões, mas o MP-BA não tem informação sobre eventual cargo ocupado por ele na torcida.
"Ele era associado da Bamor, chegou lá no local e praticou a sessão de tortura contra os cidadãos. A gente não tem a informação de se ele ocupava algum cargo, mas ele era integrante." A ação é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-BA, em conjunto com equipes da Polícia Civil, Polícia Militar e órgãos da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). Confira, na íntegra, nota divulgada pela Bamor na última quarta-feira (30):
"NOTA OFICIAL Diante dos recentes acontecimentos relacionados a integrantes de sua diretoria, a Torcida Bamor vem a público prestar esclarecimentos e reafirmar seu compromisso com a transparência, a responsabilidade institucional e o respeito às instituições. A Bamor reconhece a relevância da atuação das autoridades competentes na apuração de fatos relacionados à segurança pública e à violência entre torcidas.
Ao mesmo tempo, espera que eventuais medidas investigativas e operacionais sejam adotadas com base em critérios objetivos, uniformes, impessoais e devidamente fundamentados, aplicáveis, de forma isonômica, a instituições e situações semelhantes. A instituição não pretende antecipar conclusões, relativizar fatos ou interferir no trabalho das autoridades.
Defende, contudo, que toda ocorrência de natureza grave seja apurada com o devido rigor, à luz dos parâmetros legais aplicáveis, da igualdade perante a lei, da transparência possível e da necessária individualização de eventuais responsabilidades. A Bamor respeita o trabalho das autoridades competentes e permanece à disposição para colaborar com as investigações, dentro dos limites de suas atribuições, da legislação vigente e das garantias asseguradas pelo ordenamento jurídico brasileiro.
A instituição reafirma sua confiança na Justiça e ressalta que qualquer apuração deve observar o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e o princípio constitucional da presunção de inocência. Dessa forma, nenhuma pessoa deve ser considerada responsável antes de decisão definitiva proferida pelas autoridades competentes, nos termos da lei. A Bamor não apoia nem compactua com condutas ilícitas.
Eventuais responsabilidades, contudo, devem ser apuradas de maneira individualizada, com base em elementos concretos e mediante o pleno respeito aos direitos dos envolvidos, evitando-se generalizações ou julgamentos antecipados que possam atingir indevidamente pessoas ou a própria instituição. A medida possui caráter exclusivamente administrativo e tem por finalidade preservar a estabilidade, a organização e o regular funcionamento da instituição durante este período.
Sua adoção não representa reconhecimento de responsabilidade, antecipação de juízo ou conclusão acerca dos fatos objeto de apuração. A Bamor possui uma história construída por gerações de torcedores, marcada pela paixão pelo Esporte Clube Bahia, pelo sentimento de pertencimento e pela união de seus integrantes. Essa trajetória institucional deve ser preservada, sem prejuízo da apuração individualizada de quaisquer fatos pelas autoridades competentes.
Por fim, a Torcida Bamor pede serenidade, responsabilidade e respeito ao andamento das investigações, reiterando sua confiança na Justiça, no esclarecimento dos fatos e na observância das garantias constitucionais. A instituição permanece firme em seu compromisso com sua história, seus integrantes, o Esporte Clube Bahia e a sociedade.
TORCIDA BAMOR Diretoria Interina Salvador/BA, 30 de setembro de 2026." LEIA TAMBÉM: Imagem de Santa Dulce é destruída dentro de igreja de Salvador Três homens são achados mortos em área de mata em Salvador Casal é preso por furtar na Micareta de Serrinha após polícia achar 11 celulares escondidos em colchão e armário de pousada Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻
